domingo, 21 de fevereiro de 2010

Análise a "Bioshock 2"





O ano de 2007 foi provavelmente o melhor ano para os videojogos de sempre, com o regresso de clássicos e estreia de novos franchises que hoje representam um marco na indústria. Refiro-me a esse 2007, aquele em que vimos Halo 3, Call of Duty 4, The Orange Box, GRAW 2, PGR4, Mass Effect, Forza 2, Uncharted, God of War II, Super Mario Galaxy, Metroid Prime: Corruption etc... Enumerá-los todos é uma tarefa difícil e todos nós tivemos uma grande razão para adorarmos o ano de 2007, a minha foi um título desenvolvido pela Irrational Games, o fenomenal Bioshock, que se mantém no topo do blog como o jogo com a maior pontuação nas análises. Passado na "utopia-que-deu-tudo-errado" de Rapture, Bioshock apresentava-nos gráficos deliciosos, jogabilidade completa e inovadora e uma banda sonora e som dos melhores já vistos na indústria, mas o que realmente destacava Bioshock do vosso tradicional FPS era, sem margem de dúvida, a sua atmosfera quase palpável que tinha tanto de mágica e impressionante como tensa e grotesca, o seu enredo praticamente perfeito e um elenco de personagens inesquecível, Bioshock é daqueles jogos que nos absorve e cativa toda a nossa atenção. A história de Jack, Atlas e Andrew Ryan é uma que merece ser vivida por todos! Bioshock assume-se como o melhor jogo desta geração e um dos melhores de sempre!
Portanto, é natural que quando a sua sequela foi anunciada à mais de um ano atrás, que as expectativas em torno de Bioshock 2 fossem mais elevadas que o céu, era ainda mais natural que crescesse um grande receio sobre o mesmo, quer seja pela inclusão de Multiplayer (componente essa que falta nenhuma faria ao jogo) ou pelo facto que a antiga produtora não estar envolvida, com uma nova divisão constituída por alguns membros da equipa que desenvolveu o primeiro Bioshock, a 2K Marin, encarregue com este enorme peso. Depois de alguns adiamentos, um dos jogos mais esperados dos últimos tempos está finalmente aqui! Será que valerá a pena metermos o nosso fato de mergulho e descermos novamente a Rapture? SIM, sem dúvida! Consegue, esta sequela ter o mesmo impacto que o primeiro? NÃO... infelizmente não... Mas continua a ser uma sequela digna do seu antecessor e um dos melhores jogos recentes! Vejam porquê na análise seguinte.


"Welcome back, Delta"


Bioshock 2 passa-se 10 anos depois dos eventos do primeiro jogo, Jack, Altas e Ryan já estão há muitos esquecidos, postos de lado para dar a luz um novo elenco de personagens, que apesar de estar muito bom a comparar com os restantes jogos, não consegue superar ou sequer igualar o do primeiro (faltam-lhe grandes personalidades como Ryan, Fontaine ou o grande mestre Cohen). A principal novidade em Bioshock 2 está exactamente no protagonista, já não controlamos um simples humano que descobre Rapture após um acidente de aviação... Agora somos uma das criaturas mais emblemáticas, ferozes e austéras dos últimos tempos, os icónicos Big Daddies! Mas não somos um Big Daddy qualquer... Somos Subject Delta, o primeiro Big Daddy, consequentemente somos mais ágis (mesmo com uma enorme broca no braço esquerdo), versátis (podendo também utilizar Plasmids e diferentes armas) e possuimos algo que nenhum dos outros "grandalhões" têm: liberdade de escolha e pensamentos, alias, o livre arbitrio é um tema recorrente no jogo, quer a nível de enredo como de jogabilidade, sendo este um título mais dinâmico que o antecessor, pormenores mais à frente.
O principal vilão é Sofia Lamb, uma psiquiatra e principal opositora política de Ryan, tendo uma filosofia praticamente oposta a ele, em que acreditava que todos nós temos um dever para com a sociedade e que todos devemos fazer sacríficos para ajudar a comunidade (se querem que vos diga, se lá vivesse, acho que votava mas era no Ryan). Apesar de ser uma personagem complexa e bem imaginada, Sofia Lamb não chega nem aos calcanhares do génio que era a personagem de Andrew Ryan. Mas voltando à sinopse da história: Os primeiros Big Daddies estavam sempre ligados a apenas uma Little Sister, no nosso caso é a pequena Eleonor que foi raptada por Lamb. Após uma divinal introdução QUASE tão boa quanto o começo do original, assumimos controlo do nosso Subject Delta e rapidamente nos encontramos com uma velha personagem, a história está muito bem escrita e é muito boa, o conto deste Big Daddy foca-se na relação de simpatia entre dois dos elementos mais icónicos e sentimentais de Rapture, os Big Daddies e as Little Sisters, não vão encontrar aquela genial e inesperada reviravolta do primeiro jogo, mas é uma viagem que não vão querer perder! Mais não digo acerca da história para não estragar o elemento surpresa...



Bioshock 2 comporta-se bastante com o seu antecessor, com algumas novidades que o tornam ainda mais divertido que o original. Sendo um Big Daddy, podemos empunhar uma enorme broca, que apesar de ser super-divertida de usar, tem às vezes uma grande incoveniência, o combustível, que se gasta irritantemente depressa, causando alguns solavancos na jogabilidade. Também podemos, em diversas situações, sair para fora de Rapture e explorar o fundo do oceano, estas secções assumem-se como os momentos mais lindos e espetaculares do ponto de vista visual, onde podemos ver a enorme cidade de Rapture de fora e até avistar lugares icónicos como Fort Frolic, estas secções actuam como um descanso do combate frenético e intensiva exploração dentro das paredes húmidas de Rapture, estando totalmente privadas de qualquer personagem hostil. Um excelente pormenor que contribui ainda mais para a excelente atmosfera imposta neste segundo episódio.
Mas todos nós sabemos que o "coração" da jogabilidade de Bioshock são os Plasmids, "poderes" genéticos que necessitam de EVE para funcionarem, são variados e vão desde enormes jactos de fogo até grandes enxames de abelhas. O vosso principal Plasmid, como no primeiro jogo é Electro Bolt, com este poder vão poder mandar raios da vossa mão para poderem atordoar inimigos e subsquentemente dar-lhes com a broca no focinho, paralizar máquinas e abrir portas. Os Plasmids agora estão muito mais dinâmicos e são tão divertidos de usar como foram no primeiro jogo, agora os Plasmids vão ganhando novas funções à medida que gastam ADAM neles, como por exemplo, no clássico Incinerate, no nível 2 podem deixar o LT carregado para uma explosão de fogo e no nível três deixem o gatilho carregado para lançarem um jacto contínuo de fogo! Diversão inegável! Têm ainda mais combinações como o Cyclone Trap 2, que nos permite adicionar electricidade, gelo, fogo e até as abelhas aos pequenos remoinhos ou Telekinesis 3, onde podemos agarrar nos Splicers ainda vivos! Se só por si já são divertidos então quando juntamos o uso das armas (que agora podem ser utilizadas em simultâneo, em dual-wield), o combate de Bioshock 2 torna-se altamente táctico, dinâmico e frenético, esta componente é sem dúvida a mais melhorada, estando muito mais fluído e divertido ao invés do às vezes caótico e confuso combate do primeiro, a adicionar o arsenal já existente, temos os clássicos Bots de segurança, torres e camâras de vigilância que agora podem ser "hackadas" com um novo método que veio substituir o mini-jogo de tubos do primeiro, agora temos uma hacking tool munida de dardos especiais para hackarmos à distância e em tempo real, se conseguirmos acertar nas zonas azuis recebemos um bónus como dano extra ou um brinde no caso da vending machines, a camâra de pesquisa também recebeu um upgrade, sendo agora uma camâra de vídeo ao invès de uma máquina fotográfica que nos deixa combater e pesquisar em tempo real. A marcar de novo presença estão os Tonics, poderes passivos que nos dão abilidades especiais, estes surgem em maior quantidade e graças ao aumento do número de espaços, temos ainda mais liberdade para a personalização do nosso personagem.



Mas o preço destes espetaculares poderes é a substância genética, que como se devem lembrar no primeiro jogo, causou a queda de Rapture, estou a referir-me, obviamente ao ADAM, que apenas podemos encontrar nas Little Sisters. Tal como no primeiro jogo, antes de interagirmos com as meninas, temos primeiro de matar o "Papá", o enorme Big Daddy que as protege, esta tarefa surge aqui mais táctica e controlada que no primeiro jogo, devido às melhorias no combate e ao facto de sermos também um Big Daddy. Depois de acabarmos com o guarda-costas, vamos ter duas opções: "Harvest (ganhamos uma maior quantidade de ADAM, mas matamos a menina) ou "Adopt" (aqui levamos a menina ao ombro e temos a obrigação de a proteger contra numerosas vagas de Splicers enquanto esta recolhe o ADAM dos "anjinhos" directamente para nós) À porta das condutas temos a hipotese de as Salvar ou fazermos Harvest. Lamb não gosta que andêmos a recolher ADAM nem um bocado e para nos impedir, manda as letais Big Sisters atrás de nós, estas aparecem após termos lidado com três pequenas e assumem-se como os inimigos mais ferozes e letais do jogo, dotadas de uma agilidade impressionante, uso de Plasmids como Incinerate e Telekinesis, os duelos com estas adversárias são extremamente exaustivos e desafiantes, são de longe, os inimigos com mais "garra" ao longo das cerca de 15 horas de jogo, utilizando o cenário de forma impressionante, agarrando-se a postes, passando por condutas e atirando objectos circundantes contra nós, não queiram enfrentar-las com pouco dinheiro e recursos, vão encravar. A juntar-se às novas caras que vamos enfrentar a evolução dos antigos Splicers, que surgem aqui mais resistentes (e feios), os novos Brute Splicers (pensem num pequeno Hulk a partir e a atirar tudo o que vê à frente) e um novo tipo de Big Daddy, o Rumbler, munido de um Rocket Launcher e Mini-Torres automáticas.
Apesar dos novos melhoramentos e novidades, Bioshock 2 assume-se como uma experiência idêntica ao primeiro, mas que ainda consegue entreter bastante, estando de maneira nenhuma datada, sem perder o seu encanto. Para os veteranos, recomendo que passem logo para a dificuldade "Hard" para obterem um desafio maior.



Em termos de apresentação, Bioshock 2 é delicioso, o estilo art deco dos anos 50 volta de novo mas desta vez, devido ao passar dos anos, Rapture é um lugar mais escuro, podre e sujo, as algas e estranhas plantas marinhas agarram-se aos corredores de tubos dando a sensação de aquário sujo com aqueles tons esverdeados, é raro o lugar onde não haja uma fuga de água ou a pingar, Rapture já viu melhores dias, mas existe algo neste ambiente podre e degradado que me agrada... Tudo é estranhamente lindo, criando uma atmosfera absorvente que tornou o primeiro tão bom.... Continua a ser uma delícia a procura pelos audio diaries que nos contam histórias paralelas de outros cidadãos de Rapture, mas muita atmosfera tensa e arrepiante já se foi embora... já não vão ter aquele arrepio quando virem a sombra de um splicer na parede de um corredor escuro, Rapture já não vai parecer tão impressionante quanto antes... Aquele cheiro a novo já não está lá... E é isso o principal e inevitável defeito desta sequela, a experiência já não é a mesma... Está tudo lá, mas já não nos apanha completamente, já estamos habituados, mas foi um grande esforço por parte da 2K Marin e dou-lhes os meus sinceros parabéns pelo seu trabalho nesta sequela. O som é que continua no topo com um dos melhores de sempre, o voice-acting é sólido, credível e muito bom, os gritos e lamúrias dos Splicers, apesar de já não terem o mesmo arrepiante efeito, estão muito bons, os grunhidos e gritos de guerra dos Big Daddies continuam inconfundíveis e imediatamente reconhecíveis, as falas das Little Sisters ainda têm tanto de sinistro como inocente e os barulhos de aviso das Big Sisters vão-vos causar receio sempre que os ouvirem, tudo isto é aliado a uma banda sonora de luxo que tal, como o primeiro, está sempre de acordo com a situação e cenário.



Vamos agora abordar a componente que mais tinta fez escorrer durante o desenvolvimento do jogo, o Multiplayer. Desenvolvido pela Digital Extremes enquanto a 2K Marin trabalhava no Single-Player, "Fall of Rapture" (como é denominado) é uma vertente Multiplayer um bocado diferente do vosso FPS online normal, passada durante a Guerra Civil entre Frank Fointane e Andrew Ryan (que levou à subsequente queda da cidade de Rapture), vocês são uma das várias personagens à escolha que se alistaram no programa de testes de Sinclair Solutions, que vos lança para o meio da guerra civil para testarem os novos productos de Plasmids e Tonics no campo de batalha. Terão 6 modos distintos: Civil War (o vosso Team Deathmatch), Survival of the Fittest (Free-for-All), Capture the Sister (Uma espécie de CTF, mas com as meninas), Turf Wars (espécie de King of The Hill), ADAM Grab e Team ADAM Grab (onde terão de ter em posse durante o máximo de tempo possível a Little Sister individualmente e em equipa, respectivamente) e Last Splicer Standing (Um modo Deathmatch por equipas em que não existem Respawns) que se passaram ao longo de inúmeros mapas, que são nada mais nada menos que muitas das localizações do primeiro jogo como o Farmer's Market ou Kashmir Restaurant. No fim de cada partida vão receber ADAM, que age com a experiência no jogo, à medida que evoluiem de rank (máximo 40), vão desbloqueando armas (e upgrades para as mesmas), Plasmids e Tonics para equiparem na vossa personagem num total de duas armas e um upgrade para cada, dois Plasmids e três Tonics, apesar de funcionar de maneira semelhante, Fall of Rapture não chega ao mesmo nível de profundidade de, por exemplo, Modern Warfare 2, mas assume-se como uma excelente maneira de passar o tempo, é altamente divertido e frenético e totalmente à prova de campers! Até têm um fato de Big Daddy escondido a cada mapa para darem uma grande abada aos vossos adversários! Resta dizer que, apesar de falta nenhuma fazer a Bioshock 2, Fall of Rapture acabou por ser uma boa adição ao jogo, nem falta sequer uma narrativa sobre a guerra civil, com os ranks a desbloquear também Audio Diaries dos combatentes! E aparentemente, há bolo para quem chegar ao Rank 40...


Comentários finais:


Bioshock 2 assume-se com um dos melhores jogos recentes e um grande começo para o ínicio de mais um grande ano para os vídeo-jogos, não consegue equiparar-se ao primeiro simplesmente por ser uma sequela do mesmo, mas o resultado é um jogo brilhante em todos os aspectos que todos os gamers vão gostar, os fãs do original não podem passar sem este e quem ainda não tem o primeiro (deviam mas era ter vergonha na cara...) é mais aconselhável que o arranjem antes de se aventurarem por Rapture nas botas de Subject Delta.

GRÁFICOS - 9.4: O primeiro ainda hoje impressiona! A nova "roupagem" de Rapture e o estilo artístico genial fazem deste um dos jogos mais bonitos da nova geração, mas o primeiro impressionou mais...

SOM - 9.7: Um dos pontos mais fortes do jogo, a qualidade sonora deste jogo é inegável, não leva nota máxima devido ao facto de já não conseguir provocar aquele sentimento de ansiedade.

JOGABILIDADE - 9.4: Os elementos que conhecemos e adoramos em Bioshock voltam aqui mais refinados, Bioshock joga-se até melhor que o seu antecessor, sendo esta, a principal melhoria. Multiplayer divertido.

LONGEVIDADE - 9.2: Têm 6 finais diferentes para uma campanha que certamente quererão repetir. O Multiplayer adicionará mais algumas horas.

HISTÓRIA - 9.3: Muito boa a comparar com as restantes ofertas, mas inferior quando a comparamos ao Bioshock original.

VÍDEO ANÁLISE


NOTA: 94%

(obrigatório)


Detalhes do jogo

NOME:
Bioshock 2
PRODUTORA: 2K Marin/Digital Extremes (MP apenas)
EDITORA: 2K Games
GÉNERO: FPS
DATA DE LANÇAMENTO: 9 de Fevereiro, 2010
PLATAFORMAS: Xbox 360, PS3, PC
MODOS: Single-Player, Online Multiplayer (1o jogadores)

3 comentários:

RBchaos disse...

Muito boa análise, sim senhor!
Merecias um rebuçado :P

Anónimo disse...

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